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Como adiantado pelo blog da inventa, a arte contemporânea está em alta e a de Albergo Giacometti está próxima da estratosfera. No início da semana uma voz pelo telefone deu o lance que tornou Walking Man I a obra de arte mais cara já vendida em leilão. Custou $92.5 milhões mais as taxas, naturalmente, que levou o preço à $104.3 milhões, um troco a mais do que o recorde anterior de Pablo Picasso com Garçon à La Pipe. No post sobre Giacometti contamos que o existencialista disse certa vez que em uma casa em chamas, entre um Rembrandt e um gato, certamente salvaria o gato. Mas talvez seja porque o quadro mais caro já leiloado do mestre holandês tenha custado apenas $32.4 milhões, menos de um terço do valor recorde atingido nesta terça-feira.
O obra pertencia à um banco alemão e esteve disponível para colecionadores privados pela primeira vez, por isso o valor absurdo desembolsado pela escultura. Alías, o comprador confessou à seu assistente presente no leilão que estava esperando há mais de 40 anos para comprar a peça, que se assemelha a um destemido homem surgido das cinzas de um cataclismo, disposto a sobrepor qualquer barreira. Para salvar um gato, talvez.
Interessante como os suiços reconhecem a habilidade financeira de Giacometti. Em 1998 o povo que não se importou em enriquecer com as jóias, as contas bancárias e os dentes de ouro dos judeus mortos durante a Segunda Guerra imprimiu uma nota de 100 francos em sua homenagem.
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5 de February de 2010 at 14:02 Comments (0)
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Perguntado se em uma casa em chamas, ele salvaria uma pintura de Rembrandt ou um gato, Alberto Giacometti disse que certamente salvaria o gato. Uma resposta que reflete melhor a personalidade existencialista do artista suíço do que qualquer uma das análises que procura associar suas austeras esculturas à solidão e vulnerabilidade da condição humana. Associação que ganha mais força no contexto histórico do pós-guerra, na década de 40, quando Giacometti começou a ganhar fama com suas esculturas de bronze.

O fato, simples e essencial, é que Giacometti pensava que a vida é mais importante do que a arte. Que a arte vem da vida e para ela se cria. Essa história do escultor está retratada no filme Un homme et une femme do diretor francês Claude Lelouche, outro artista que sempre humanizou seus filmes minimizando ao máximo os efeitos especiais. Aliás, foi tirando leite das pedras no caminho da produção que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro com o filme.
Voltando a Giacometti. Em 1951 ele fez uma escultura de um gato, na linha dos alongados nus femininos que fazia na época. O catálogo da Sotheby’s diz que a peça representa a dissimulação com a qual o animal desafia os limites da forma e do espaço. Uma analogia ao pensamento existencialista que predominou em Giacometti depois das longas conversas com Sartre. Tudo papo de vendedor. Tão rápido e oblíquo como um gato, a realidade passa das palavras humanistas de Giacometti à lei de mercado que rege as artes hoje em dia. A escultura foi a leião em maio deste ano, em Nova York, com preço mínimo de U$ 16 milhões.

Não houve nenhum lance à altura. A Sotheby’s culpou a crise financeira mundial.
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16 de November de 2009 at 15:20 Comment (1)