O Gato de Giacometti
Perguntado se em uma casa em chamas, ele salvaria uma pintura de Rembrandt ou um gato, Alberto Giacometti disse que certamente salvaria o gato. Uma resposta que reflete melhor a personalidade existencialista do artista suíço do que qualquer uma das análises que procura associar suas austeras esculturas à solidão e vulnerabilidade da condição humana. Associação que ganha mais força no contexto histórico do pós-guerra, na década de 40, quando Giacometti começou a ganhar fama com suas esculturas de bronze.

O fato, simples e essencial, é que Giacometti pensava que a vida é mais importante do que a arte. Que a arte vem da vida e para ela se cria. Essa história do escultor está retratada no filme Un homme et une femme do diretor francês Claude Lelouche, outro artista que sempre humanizou seus filmes minimizando ao máximo os efeitos especiais. Aliás, foi tirando leite das pedras no caminho da produção que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro com o filme.
Voltando a Giacometti. Em 1951 ele fez uma escultura de um gato, na linha dos alongados nus femininos que fazia na época. O catálogo da Sotheby’s diz que a peça representa a dissimulação com a qual o animal desafia os limites da forma e do espaço. Uma analogia ao pensamento existencialista que predominou em Giacometti depois das longas conversas com Sartre. Tudo papo de vendedor. Tão rápido e oblíquo como um gato, a realidade passa das palavras humanistas de Giacometti à lei de mercado que rege as artes hoje em dia. A escultura foi a leião em maio deste ano, em Nova York, com preço mínimo de U$ 16 milhões.

Não houve nenhum lance à altura. A Sotheby’s culpou a crise financeira mundial.
16 de November de 2009 at 15:20 Comment (1)