blog da inventa

Splash

Para aproveitar as torrenciais águas que tem caído aqui no sul, um post sobre ela mesma, a água. Martin Waugh é um físico que já há algum tempo faz esculturas de água. “Através do tempo a água tem acalmado a alma, aliviado o espírito e curado os feridos”, pode-se ler no site do físico.

Martin Waugh

Por meio da técnica fotográfica splash, Martin consegue captar o momento exato (não aquele metafísico do Bresson) em que a água produz seus momentos mais bonitos. São instantes imperceptíveis pelo olho humano, e que Martin vende como obras de arte. E são mesmo, olha só:

Martin Waugh

Martin Waugh

É um processo interessante. Ele tem a máquina acoplada a diversos equipamentos que calculam o instante que ele quer fotografar. Também há uma infinidade de tintas e pigmentos, dos mais diversos, para produzir a diversidade das imagens que está em seu portfolio. Para saber mais

Martin Waugh

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20 de November de 2009 at 15:32 Comments (0)

O Gato de Giacometti

Perguntado se em uma casa em chamas, ele salvaria uma pintura de Rembrandt ou um gato, Alberto Giacometti disse que certamente salvaria o gato. Uma resposta que reflete melhor a personalidade existencialista do artista suíço do que qualquer uma das análises que procura associar suas austeras esculturas à solidão e vulnerabilidade da condição humana. Associação que ganha mais força no contexto histórico do pós-guerra, na década de 40, quando Giacometti começou a ganhar fama com suas esculturas de bronze.

por_Henri Cartier-Bresson

O fato, simples e essencial, é que Giacometti pensava que a vida é mais importante do que a arte. Que a arte vem da vida e para ela se cria. Essa história do escultor está retratada no filme Un homme et une femme do diretor francês Claude Lelouche, outro artista que sempre humanizou seus filmes minimizando ao máximo os efeitos especiais. Aliás, foi tirando leite das pedras no caminho da produção que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro com o filme.

Voltando a Giacometti. Em 1951 ele fez uma escultura de um gato, na linha dos alongados nus femininos que fazia na época. O catálogo da Sotheby’s diz que a peça representa a dissimulação com a qual o animal desafia os limites da forma e do espaço. Uma analogia ao pensamento existencialista que predominou em Giacometti depois das longas conversas com Sartre. Tudo papo de vendedor. Tão rápido e oblíquo como um gato, a realidade passa das palavras humanistas de Giacometti à lei de mercado que rege as artes hoje em dia. A escultura foi a leião em maio deste ano, em Nova York, com preço mínimo de U$ 16 milhões.

The Cat, 1951

Não houve nenhum lance à altura. A Sotheby’s culpou a crise financeira mundial.

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16 de November de 2009 at 15:20 Comment (1)