La Liberté
Triste parece ser a vida de palhaço. Engolir todos os desaforos, permanecer sorrindo. Lembro-me de uma história que minha mãe conta. Aconteceu já faz algum tempo (tá bom, mãe, faz pouco tempo), quando foi acelerar seu fusca puxou o volante e qual não foi a surpresa de vê-lo em suas mãos, totalmente solto. Sozinha no carro, ficou desesperada. Ainda mais porque havia um caminhão cheio de palhaços na caçamba colado no volkswagen. Sem saber o que fazer, ficou ali, com o volante na mão até que o grupo de palhaços passasse ao lado do carro proferindo toda sorte de nomes que teriam de ficar por ali mesmo, muito longe da festa de crianças para onde estavam indo.
Era mais ou menos isso o que eu pensava quando criança via os palhaços se divertirem. Será que eles eram daquele jeito sempre? Aí minha mãe contou a história e eu vi que não.

Ontem fui assistir ao Quidam do Cirque du Soleil, o circo mais famosos do mundo, fundado pelo palhaço mais bem sucedido no mundo. O canadense Guy Laliberté juntou U$2,5 bi ao longo das duas décadas de circo. O suficiente para pagar por uma viagem ao espaço, onde permaneceu por 8 dias em outubro deste ano, tornando-se o sétimo turista espacial em todo o mundo. O espetáculo é uma espiada no universo de um outro palhaço, este de cunho mais artístico. O homem sem cabeça e com guarda-chuva, as cartolas, as maçãs todas denunciavam a arte satírica – mas ao meu ver, divertida – do belga René Magritte.

10 de December de 2009 at 16:15