
Responsável pela capa da Inventa_05 e por uma loja chamada La Dominga em Buenos Aires, este porteño conta com a namorada para tudo, menos para conduzi-lo durante as quase 4 horas que tomava para ir e voltar da faculdade.
Inventa – Quando você começou a desenhar?
Pablo Gamba – Sempre gostei de desenhar, desde pequeno. Lembro quando a professora da 3a série não acreditava que era eu quem desenhava em meus cadernos. Inclusive ela chegou a chamar meu irmão mais velho para confirmar. Meu pai também gosta muito de desenhar e ele estudou “dibujo publicitario”. Aos poucos, ele foi me transmitindo seus conhecimentos.
IVT – Lemos por aí que você gosta de estudar. É isso mesmo?
PG – A etapa que mais desfrutei dos estudos foi na universidade. Lá, encontrei pessoas que tinham os mesmos interesses que eu, que gostavam de coisas similares. Em especial, no começo da carreira, tudo era novo e tudo me surpreendia; além de que, tudo me interessava – podia ser algo sobre história da arte ou técnicas para melhorar o traço… analisar muito as coisas antes de começar a trabalhar, pesquisar, ver revistas, ler muito, aprender com os amigos. No começo não entendia o que estava fazendo, até que fez um “click” e tudo começou a fazer sentido!
Tive que me esforçar muito, porque viajava quase 4 horas todos os dias para ir e voltar de casa à universidade, mas realmente value a pena. Foi uma experiência que me formou muito como profissional e como pessoa.
IVT – Seu trabalho é lúdico. O que te inspira?
PB – Quando conheci o trabalho de Tim Burton, disse wooooow! E comecei copiando alguns de seus traços, mas, tenho uma história e vivências pessoais, lembranças, que coloco nos meus trabalhos. Gosto muito dos “juguetes antiguos”, dos desenhos que fazia quando era criança. Toda a informação que pude armazenar, não apenas na época da univerdade mas sim durante toda minha vida, de alguma ou outra forma se manifesta nas minhas criações.
IVT – Como você analisa o mercado das artes visuais na Argentina?
PG – Nos ultimos anos houve uma fusão entre o desenho gráfico e a ilustração. Isso porque o povo “gostamos de desenhar” começou estudar desenho gráfico e foi aí que aprendemos muito mais sobre o assunto, de uma maneira mais comercial. Creio que na Argentina há designers e ilustradores extraordinários, talvez por causa dessa característica multicultural que temos, enriquecendo nosso cenário gráfico e o deixando muito diverso.

IVT – Como, quando e por que começou a fazer o design de produtos?
PG – Decidi começar alguma coisa com minha namorada, Ana, para aproveitar as vantagens de um projeto próprio. Surgiram uns ímãs com roupas que mudavam há uns 5 anos. Colocamos um nome no projeto, “Nuevas Ganas” (algo como novas vontades), que é o que aparece na hora de começar algo novo. Logo comecei a trabalhar com uma amiga mexicana chamada Macu, e fizemos vasos, chaveiros e mais algumas coisas. Também fizemos um mapa da Argentina para ensinar quais eram as províncias e as capitais.
Eu conjunto com amigos ilustradores, fizemos as wachi fichuz (www.wachi.com.ar), uma série de figurinhas colecionáveis. Eu trabalho todos os dias em uma agencia onde os trabalhos são corporativos, mas é lá também onde posso desenvolver uma profissão mais tradicional. Estes outros empreendimentos me permitem desfrutar de um outro universo, mais sensível, mais plástico
IVT – Pode-se encontrar seus produtos no Brasil?
PG – No momento não. Apenas desenhei uma vez uma metáfora de Rita Apoena, uma pessoa genial, e seguramente este desenho deve andar por aí. Por meio dela, entrei no Orkut e me chegaram muitos emails brasileiros que elogiavam minha arte. Me encheu de alegria.
IVT – Como foi 2009 para você? Algumas novidades?

PG – Este ano foi muito bom, pessoalmente e profissionalmente. Desenhei muito para manuais de estudo para crianças e tive uma exposição com minhas obras em uma galeria em Palermo chamada El Diente de Oro. Porém, o mais importante foi que abri junto com Ana minha própria loja, chamada La Dominga e aí sim, conseguimos mostrar para todo mundo o que a gente gosta, o nosso mundo. Vendemos nossos produtos e também obras minhas, de ilustração.
IVT – Você já veio ao Brasil? O pensa de nosso país?
PG – É uma viagem pendente, mas está muito presente em minha vida. Minha sogra é apaixonada pelo Brasil e minha namorada também. Temos alguns amigos próximos que são brasileiros. Na casa de minha sogra sempre há pagode e outras músicas, por isso escuto a música de seu país o tempo todo. Inclusive vendemos CDs brasileiros em nossa loja.
IVT – Você trabalha com sua namorada. Há muito tempo? Por que?
PG – Na verdade é diferente, porque há 5 anos fazemos coisas juntos, mas faz 2 meses que abrimos a loja e ela está lá de segunda à sexta, e aos sábados atendemos juntos. Eu sigo trabalhando como designer e ilustrador. Ela gosta muito de vender, de entrar em contato com a gente, conversar. Ela é um motor constante, sempre criando coisas e incentivando as pessoas. Eu sou mais tranqüilo e a verdade é que se não fosse o empurrão dela, nada do que fiz teria sido completado.
IVT – Quem são os melhores desenhistas argentinos?
PG – Gosto muito de Alex Dukal, Patricio Oliver, Bernasconi, Turdera, Alderete, Gustavo Aimar, Federico Pasos, Isol, Lucas Varela, Liniers e muitos outros. Na verdade, são muchísimos.
Quem quiser saber sobre Pablo Gamba pode acessar os links www.flickr.com/pablogamba ou nuevasganas.blogspot.com


