A Aula do Oeste
Os três mercenários, diante de Bronson. Fadados à morte.
Não é segredo algum. Todo mundo que fala comigo por algum tempo sobre cinema logo descobre que meu filme preferido é Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone. Talvez tenha a ver com o fato de Charles Bronson ser o homem mais perigoso que o cinema já viu. Único capaz de derrotar facilmente Chuck Norris. Mas talvez tenha a ver com a melodia que ele tocava em sua guaita, composta por Ennio Morricone.
E não apenas isso. Henry Fonda e a linda Claudia Cardinale completam o elenco regido pelo maestro Leone. Alías, na Itália maestro apenas para diretores de cinema e professores. Maestro lá é direttore di orquestra, como me explicou bem o entrevistado principal da Inventa_06, que sai em breve. Pois bem, acredito que o faroeste tenha sido o gênero que mais contribuiu para o amadurecimento da linguagem cinematográfica. A maneira com que a câmera conta as histórias de mocinhas e bandidos – numa terra sem lei alguma que não a dos próprios homens – nos faz imergir completamente no enredo e no clima de época.
Os planos que se arrastam como as esporas, a luz que queima os olhos e incomoda como o sol e os diálogos lentos e pouco elaborados. Também o plano americano, que é quando a câmera revela a pessoa do joelho à cabeça. Uma exigência para mostrar a pistola à tiracolo. Estas, entre tantas, foram algumas das ferramentas utilizadas pelos diretores de faroeste, de Fritz Lang a Clint Eastwood. Alías, este tem feito os melhores filmes americanos dos últimos tempos. Aprendeu tudo no oeste, ou melhor, em Almeria na Espanha, onde filmou inúmeros spaghetti westerns com grandes mestres italianos, entre eles, Sergio Leone.
17 de February de 2010 at 17:14